Coletivo Cracolândia

O que pode ser feito para ajudar os moradores da região do centro de São Paulo denominada Cracolândia - e como? Esta iniciativa visa listar sugestões que podem ser colocadas em prática pelos próprios cidadãos ou apresentadas ao poder público.

Para adicionar sua sugestão, envie um email para coletivocracolandia@gmail.com ou use os links acima.

O novo portal de notícias SPressoSP terá uma festa de lançamento amanhã, dia 4/2, que incluirá um debate sobre o crack e a Cracolândia.

O debate, que terá início às 10h, contará com a participação de Daniela Skromov de Albuquerque, coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública; Jamil Murad, vereador (PCdoB) e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo e o Padre Julio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua. 

O lançamento será no sábado, dia 04/02, a partir das 10h, com transmissão ao vivo direto da Casa Fora do Eixo de São Paulo, na Rua Scuvero, 282 – Liberdade. 

Mais informações sobre o evento e outros debates que também acontecerão amanhã aqui.

Foto: Serjao Carvalho (CC)




O governo brasileiro pode ter de se explicar à ONU sobre a operação policial realizada no início do mês na área de São Paulo conhecida como Cracolândia. Isso porque quatro ONGs fizeram na terça-feira uma denúncia formal a relatores independentes das Nações Unidas, criticando abusos do poder público. O documento faz acusações como o uso excessivo da força por parte da Polícia Militar contra usuários de drogas da região, o tratamento desumano e falta de assistência em saúde.

(BBC Brasil)

O Estado pediu para três pessoas darem seus relatos de uma semana da operação na cracolândia, no centro de São Paulo. Juntamos aqui o ponto de vista de um PM que atua na ação, um usuário que mora na região e um pesquisador que trabalha com usuários.

Abaixo você lê os três relatos de uma semana na cracolândia:

link‘Sou o último que sobrou em 16 anos aqui’, diz viciado em crack

link‘Demora para esquecer esse tipo de situação’, diz policial em ação

link‘Trabalhar com os usuários ficou difícil’, diz pesquisador

Caríssimos

No âmbito do projecto ‘Global City 2.0’ (promovido pelo movimento ‘Cidades pela Retoma & Transição’) estamos a produzir um ‘mapa-mundo de iniciativas cívicas sobre cidades’.

Neste sentido, lançamos o desafio a todas as organizações cívicas de intervenção/reflexão à escala da rua, bairro, freguesia ou cidade (ou afins) ou a indivíduos que escrevam sobre cidades (ou afins) que se inscrevam no mapa que está disponível no site http://www.globalcitynetwork.org/ (ver mapa anexo).

Quando acederem ao site devem clicar em ‘novo ponto’, colocando o cursor que aparece no mapa na localização que vos pareça a mais adequada, e preencher os dados solicitados (nome, email, título, link e observações).

Se tiverem dificuldades digam.

Bom ano cívico!

 

GLOBAL CITY 2.0 – Rede Mundial de Movimentos Cívicos de Cidade

Site http://www.globalcitynetwork.org/

Twitter https://twitter.com/#!/GlobalCity20

Facebook https://www.facebook.com/groups/CityCivicMovements/

Email: globalcitytwopointzero@gmail.com

O crack é um problema que não dá para ter solução neste ano, não é de curto prazo. Senão, todas as outras cidades já teriam resolvido. Mas é um problema que está no mundo inteiro. Existe uma grande expectativa de melhoria, com o Estado mais presente. Na medida que o trabalho se intensifica, os resultados em número de tratamentos melhoram. Estamos nos esforçando muito e vamos criar mais leitos quanto forem necessários. Constatamos o quanto as ações têm que ser integradas com polícia, saúde e assistência social, por sua magnitude.

Gilberto Kassab (PSD), prefeito de São Paulo

Fonte: O Estado de São Paulo

Imagens do “Churrascão da Gente Diferenciada - edição Cracolândia,” que ocorreu no último sábado, nas imediações da rua Helvétia, no centro da cidade.

De acordo com a página no Facebook do evento, que atraiu o apoio de milhares de usuários da rede social, o objetivo da iniciativa foi de “combater, de forma bem humorada e crítica, o preconceito e o racismo dos políticos e das elites paulistanas.” 

Se você compareceu ao evento e gostaria de dividir suas impressões neste espaço, use o link no lado esquerdo superior do site ou escreva para coletivocracolandia@gmail.com.

Imagens: Fora do Eixo (Creative Commons)

Asker Anonymous Asks:
Eu,sou gaúcho e infelizmente, no meu estado existe a dependencia quimica do crack. Os governos que passam por todo Brasil não tem politica de saúde para os dependentes do crack oque poderia ser feito é um abixo assinado para que todo dependente quimico do crack fosse tratado deste vício. aqui na minha cidade existem as fazendas onde os dependentes são levados e tratados por médicos e psicólogos. Esta acredito seria ocaminho inicial
coletivocracolandia coletivocracolandia Said:

O blog coletivo Outras Palavras publicou um texto que menciona o Coletivo Cracolândia e levanta alguns pontos importantes sobre a situação na região, que reproduzimos abaixo. Gostaríamos de agradecer ao criador do blog Antonio Martins pelo apoio e parabenizar o pessoal do OP pela sua iniciativa de apoio ao jornalismo cidadão. 

Derrotar a “Operação Sufoco” — que promoveu a ocupação policial da região da Luz, em São Paulo, a pretexto de lutar contra o comércio de crack — tornou-se uma possibilidade real, nos últimos dias. O aparente consenso que havia, na virada do ano, em favor da suposta “limpeza” do centro trincou-se rapidamente. A oposição, que no início partiu de pequenos coletivos ou vozes isoladas, ganhou aos poucos defensores públicos, vereadores, setores religiosos, mesmo parte da mídia.Desde quarta-feira, a própria polícia parece desconcertada. Os momentos de repressão selvagem são alternado por tréguas.

O “churrascão diferenciado“, que reuniu cerca de 2 mil pessoas, na tarde deste sábado, foi anunciado até mesmo em alguns portais da net. Terminou numa caminhada pelas ruas da região, sinalizando que há inúmeras iniciativas mais humanizadoras e eficazes que a ocupação pela polícia militar. Se a desmilitarização for alcançada, será, porém, apenas um (importantíssimo) primeiro passo.

São Paulo está se tornando um nó da rede global de especulação imobiliária. Há muitos capitais disponíveis, em busca de locais para investir e lucrar, depois que estouraram bolhas de valorização artificial de imóveis nos Estados Unidos e em diversas partes da Europa. Poderia ser uma oportunidade: se políticas públicas canalizassem os capitais que entram para mais habitação popular, saneamento, transporte coletivo, por exemplo. É, porém, um enorme risco. A tendência natural do dinheiro é migrar para os canais de valorização já abertos e operantes: capturar áreas pouco valorizadas, construir imóveis-padrão para compradores-padrão. Expulsar os pobres como entulho indesejável. Em São Paulo, a região da Luz é uma espécie de piloto. Por que não expandi-lo para outras áreas, em caso de “sucesso”?

Vencer este projeto e substituí-lo por outro exigirá luta, inteligência e alegria. É ótimo saber, portanto, que outra frente de resistência acaba de ser aberta — também a partir de uma iniciativa autônoma de transformação social. Na quinta-feira, seis pessoas que trocavam há meses ideias sobre como agir em defesa da Luz e (todos!) os seus moradores e frequentadores, lançaram o blog Coletivo Cracolândia. É aberto a contribuições de qualquer interessado em construir uma cidade mais participativa e democrática. Além disso, tem uma ambição particular.

Quer ir além da resistência. Vê a Luz como um espaço a ser apropriado e cuidado — pela cidade e seus habitantes. Percebe que mais complexo (e decisivo) que afastar a PM é criar, numa área degradada, novas condições de convivência, acolhimento e sociabilidade. A ocupação militar é a pior solução possível diante de um problema que… já existia antes. Quando a violência for vencida, o problema restará. O que a cidade tem a dizer e fazer a respeito? Como criar, numa das grandes metrópoles do planeta, formas pós-capitalistas de habitação, urbanidade, relação com a natureza, produção e distribuição de riquezas?

O Coletivo Cracolândia cria uma oportunidade de tornar públicos estes problemas. Numa entrevista que Outras Palavras publicará em breve, o sociólogo Manuel Castells sugere que a potencialidade principal da internet é compartilhar, entre os cidadãos, os poderes e responsabilidades que antes estavam concentrados nas mãos dos poderosos. “A cracolândia que você não vê“, texto Talita de Ribeiro (uma das integrantes do coletivo) que reproduzimos hoje permite acreditar que este passo está mais perto de nós do que pensamos às vezes.

Foto: Marco Gomes (Creative Commons)

Sou moradora da região da cracolândia. Confesso que não sabia a fundo sobre o projeto Nova Luz e fiquei realmente surpresa sobre o que realmente se trata. Não concordo com a forma que a prefeitura quer levar o projeto. Não concordo como a policia tomou a cracolândia. Não concordo como a prefeitura em sua cara de pau falar sobre o sucesso dessa operação. Mas também não sei qual seria a melhor projeto, a melhor saída e se tem uma. Todos os dias quando saio de casa sinto uma tristeza enorme quando vejo as pessoas dormindo jogadas pelas calçadas em especial as crianças e grávidas. Sempre pensei, desde que moro aqui, qual seria a solução pra isso e confesso que depois da operação da PM essa inquietação se tornou mais real, pois agora a cracolândia não está mais depois da Rio Branco. Está na minha porta na rua ao lado.

É até hipocresia minha afinal agora que está do meu lado é que estou começando a me coçar. Mas por algum lugar tem que começar não é? Quero participar, discutir, fazer alguma coisa pela região. Gosto de morar aqui, com todos os contrastes. Quero que a região seja valorizada, mas não por especulação imobiliária, mas pela sua história, pela sua arquitetura, pela luz amarelada a noite. Acho que a maioria das pessoas que moram, trabalham ou passam pelo centro não respeitam a região. Tenho impressão que muitos só enxergam a cracolândia, a sujeira e centros de compras. 

Enfim, gostaria de me envolver mais nas discussões, não tenho uma sugestão de imediato. Vou comparecer no churrascão amanhã, mas não concordo com “a policia não é bem vinda”, pois tenho receio do que aconteceria se a policia fosse embora hoje. Não sou a favor a campanha de dor e sofrimento que PM está fazendo. Mas eles não são preparados para lidar com essas situação. Eles são treinados para serem truculentos para oprimirem. Errados? Sim, mas acho que esta não é a questão no momento.

Confesso que tenho receio que essa forma bem humorada de criticar, se torne apenas mais uma manifestação engraçada para  criticar a PM e não para chamar atenção para uma questão social muito mais complexa. Que a questão da cracolândia é só uma parte do problema, se é que posso chamar assim.
Foto: Serjao Carvalho (Creative Commons)

Boa tarde! sou terapeuta ocupacional, trabalho no CRATOD (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas) e gostaria de deixar com vocês meu contato para qualquer articulação entre o coletivo cracolândia e a área da saúde.

Somos um serviço de saúde, de caráter comunitário de atenção pssicossocial, ou seja, porta aberta. Nossa equipe é constituida de medicos psiquiatras, clinicos, neurologista, psicologos, assistentes sociais, terapeuta ocupacional, educadores físicos, dentistas, etc…

Atendemos diariamente muitos usuários vindos voluntariamente da cracolandia. Estamos na Rua Prates, 165.

Há muito tempo atendemos esta região, mas acabou não sendo divulgado nosso trabalho na mídia, acredito por conveniência política…inclusive estão dizendo que irão abrir outro centro de atenção na mesma rua (um da prefeitura)… como se não houvesse o nosso. Bom estamos, lá, pertinho… precisando desse contato para parcerias, outras articulações, meu e-mail é lissa.castrighini@gmail.com.

Clarissa Castrighini (estarei no churrascão no sábado)
Foto: Reprodução